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sábado, dezembro 15, 2012

Quarenta e dois anos do fim da TV EXCELSIOR

1970 - Fim das transmissões da TV Excelsior, às 17 h 56 min.

                                                                                 
                                                                                 

quinta-feira, dezembro 13, 2012

O REI DO BAIÃO



Biografia - Abril Cultural



    Luiz Gonzaga nasceu em Exu (PE) no dia 13 de Dezembro de 1912 em uma fazenda chamada "Caiçara", a 3 léguas da cidade. Filho de Januário e Ana Batista (conhecida por Santana), ele ganhou esse nome em homenagem à Santa Luzia, que era seu dia.

    Aos sete anos, Luiz já pegava sua enxada. Mas preferia ficar olhando o pai consertar sanfonas e observar como se tocava esse instrumento. Januário era sanfoneiro respeitado em toda a região. E Luiz via o pai tocar, estudando os movimentos dos dedos, louco para experimentar o fole.

    Um dia, o pai na roça, Santana na beira do rio, Luiz pegou uma sanfona velha e começou a tocar. Com poucas tentativas já conseguia tirar melodias do instrumento. Foi quando a mãe chegou e lhe deu um safanão. Não queria um filho sanfoneiro que se perderia no sertão. Mas Januário gostava das tendências musicais do filho. Deixava o filho ir tocando as sanfonas que vinham de longe para serem consertadas. Só se assustou quando um dono de um terreiro muito concorrido, pediu licença para Luiz tocar num baile. O menino irrequieto e cheio de iniciativa, já andara tocando por lá, sem que Januário soubesse, fazendo grande sucesso.

    - Fale com Santana, ela é que resolve - disse Januário, ao mesmo tempo orgulhoso e temeroso pelo filho.

    Santana a princípio negou, mas depois resolveu deixar na mão dos homens o assunto. Conversa vai, conversa vem, Januário consentiu:

    - E se der sono nele por lá?

    - Ora, a gente arma a rede e manda ele drumi - respondeu o dono do terreiro, com o sanfoneiro já garantido para a festa.

    Naquela noite Luiz tocou com todo entusiasmo, agradando em cheio. Mas realmente não resistiu. Os olhos pesaram, a sanfona tornou-se um fardo e o menino foi para a rede. Tão menino ainda que fez xixi enquanto dormia, fugindo para casa com vergonha.

    A partir de então passou a acompanhar Januário pelos forrós daquele sertão. Santana a princípio discordava mas calou-se depois de ver os dois mil réis que o menino ganhava revezando-se com o pai na sanfona.

   Assim cresceu Luiz Gonzaga: ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando a mãe às feiras, fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região, sendo protegido pelo Coronel Manuel Aires de Alencar. Sr. Aires era homem bondoso e respeitado até pelos inimigos. Luiz, embora filho de trabalhador, era muito bem tratado pelos Aires de Alencar. As filhas do Cel.  ensinaram-lhe as poucas letras que aprendeu: assinar o nome, "ler uma carta e escrever outra". Ensinaram-lhe também a falar correto, comer direito, boas maneiras.

    Foi o Sr. Aires quem realizou o grande sonho de Gonzaga: ter uma sanfona própria. O instrumento, uma harmônica amarela marca "Veado", custava 120$000, Luiz tinha 60$000 economizados. O Cel. pagou o resto. Mais tarde foi reembolsado por Luiz com o fruto de seu trabalho de sanfoneiro.

    O primeiro dinheiro ganho com sua sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, em Ipueira: ganhou 20$000. Foi nessa festa que sua fama de bom sanfoneiro começou a fixar-se. Luiz sentiu que seu destino era aquele quando, no meio do baile, Mestre Duda, o mais respeitado sanfoneiro da região, soltou o elogio: "Esse menino é um monstro pra tocar".
    - Foi o maior elogio que já recebi na minha vida - disse Gonzaga.

    Quando descansava da sanfona, Luiz dançava e namorava. Uma vez, pensou em casar, comprou até alianças, mas Santana acabou com o noivado do adolescente. A coisa foi pior quando entrou para um grupo de escoteiros, em Exu, e começou um namoro de olhares com Nazinha, filha de Raimundo Delgado, um importante da cidade. A primeira conversa entre os dois confirmou o interesse mútuo. Pensando novamente em casamento, Luiz foi falar com os pais da moça. Raimundo não estava; a mãe foi simpática, mas deu a entender que o pai não aprovaria o namoro. Dias depois, um amigo contava a reação de Raimundo:

    - Um diabo que não trabalha, não tem roça, não tem nada, só puxando aquele fole, como é que quer se casar? É isso, mora nas terras dos Aires e pensa que é Alencar. Os Aires podendo tirar o couro daquele negro. Dão liberdade e agora quer moça branca pra se casar...

    Luiz não hesitou; comprou uma peixeira e foi tirar satisfações do homem, disposto a matá-lo. Raimundo conseguiu desconversar e contou tudo a Santana. O resultado foi uma surra no valentão, a maior que recebeu na vida. Santana açoitou-o até perder as forças e cair sentado num banco. Luiz, assim que se recompôs, fugiu para o mato.

    Em Crato, Luiz mentiu que ia a Fortaleza comprar um fole novo. E vendeu o velho para Raimundo Lula, tomando o trem que o levava pra uma resolução: entrar para o Exército. Queria deixar para sempre Exu, a vergonha do quase crime e de uma surra aos dezessete anos. Como tantos homens do interior, ia para a capital, buscar no Exército uma vida melhor.

   Tornou-se o recruta 122 numa época violenta: a Revolução de 1930 logo estourava no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Para este último Estado seguiu o batalhão de Luiz, aderindo aos revoltosos na cidade de Sousa. Os meses seguintes foram de missões ao Pará, interior do Ceará e Teresina, agora em defesa da revolução vitoriosa. Na capital do Piauí, Luiz, que estava prestes a dar baixa, conseguiu o engaiamento e foi para o Sul: Rio, Belo Horizonte, Campo Grande, Juiz de Fora.

    Tinha agora um apelido: "Bico de Aço", pois tornara-se corneteiro muito competente. Com a sanfona, tivera um reencontro muito triste. Foi tocar na orquestra do quartel, o maestro falou:

    - Gonzaga, dá um Mi Bemol aí.

    - Mi Bemol? Que diabo é isso?

    E assim o bom sanfoneiro de Exu ficou de fora da orquestra: não sabia nem a escala musical. Mas decidiu aprender. Mandou fazer uma sanfona com Seu Carlos Alemão e começou a estudar com Domingos Ambrósio, O Dominguinhos, famoso sanfoneiro de Minas. Aprendia o Mi Bemol e as músicas  que se tocavam no centro do país: polcas, valsas, tangos.

    Transferido para Ouro Fino, sul de Minas, lá tocou pela primeira vez num clube, "assassinando" o repertório de Augusto Calheiros e Antenógenes Silva. Os bons tempos de caserna estavam no fim. Uma nova lei proibia que Luiz ficasse mais de dez anos engajado. Depois de uma ida a São Paulo, em busca de um fole melhor, retornou à vida paisana. Era 1939, Luiz Gonzaga não sabia direito o que fazer.

    "Cum um bocado de roupa
    Minha sanfona e dinheiro
    Eu vim pra terra da luz
    Que é o Rio de Janeiro;
    Tive meu primeiro emprego
    Meu amigo não se zangue;
    Foi num canto de café
    Ali pertinho do Mangue."

    Enquanto esperava um navio para voltar a Pernambuco, Luiz ficou no Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro. Um soldado o aconselhou:

    - Mas, rapaz! Com um instrumento desses aí e na moita. Isso é dinheiro vivo, moço! Sei onde você com isso aí pode levar seus cinqüentões folgados!

    Era no Mangue, Rua Júlio do Carmo, esquina de Carmo Neto. "Um fuzuê dos diabos", conta Luiz.

   Ao barulho do movimento na rua juntava-se o rumor dos bares, da boêmia malandra e constante, soldados e marinheiros do mundo inteiro. Loiros, chinos, brasileiros, alemães, russos, polacos, o diabo. Desconfiado, Luiz começou a tocar timidamente. Mas logo conseguiu companheiro, o guitarrista Xavier Pinheiro, com quem passou a tocar nos bares do mangue, nas docas do porto, nas ruas, onde houvesse alguém disposto a ouvir e jogar alguns tostões no pires. Acabou sendo convidado para tocar em festinhas de subúrbio e nos cabarés da Lapa, após a meia-noite, quando encerrava seu "expediente" nas ruas da cidade. A sanfona garantia-lhe a sobrevivência e abria-lhe novos caminhos.

    No Elite, gafieira da Praça da República, Luiz teria a primeira oportunidade de conhecer uma figura do rádio, o pianista cego Amirton Valim, de tocar seus forrós e chamegos do Nordeste. Era uma exceção, pois seu repertório continuava sendo o exigido pelo público da época: tangos, fados, valsas, foxtrotes, etc.

    Foi tocando esses ritmos estrangeiros que Luiz fez as primeiras tentativas no rádio, arriscando-se nos programas de calouros de Silvino Neto e Ari Barroso. Fracasso total: nunca passava de uma medíocre nota 3. Até que um dia um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que cometia: por que não apresentava as músicas que crescera ouvindo e tocando, as músicas gostosas dos sanfoneiros do sertão como seu pai Januário e Mestre Duda?

    - Bôas noite, seu Barroso.
    - Rapaz, procure um imprego.
    - Seu Ari, me dá licença pra eu tocar um chamego?
    - Chamego?... O qui é isso no rol da coisa mundana?
    - O chamego, Seu Barroso, é musga pernambucana.
    - Como é o nome desse negócio?
    - Vira e Mexe!
    - Pois arrivira e mexe esse danado... a gente vê cada uma...

    Luiz virou e mexeu com todo mundo. Ari Barroso deu-lhe nota 5 e o prêmio de 15$000. O público pediu bis, entusiasmado com a descoberta. Luiz também fazia uma descoberta:

    - Havia ambiente para as músicas do nosso sertão, havia um filão a explorar, até então virgem quase não passavam de contrafações grosseiras aqueles programas sertanejos com emboladas e rancheiras.

    Não deixou o pires do Mangue, mas começou a aparecer em programas de rádio, como o Zé do Norte, e a conhecer os compositores que admirava: Augusto Calheiros, Antenógenes Silva. Este último, ao saber que Gonzaga tocava no Mangue, profetizou:

    - Pois vá se aguentando lá, que seu dia chegará.

    E o dia começou a chegar quando Luiz, tocando no Mangue, foi procurado por Januário França. Precisava de um sanfoneiro para acompanhar Genésio Arruda numa gravação. Luiz hesitou:

    - Será que eu acerto?
    - É sopa, rapaz.

        Luiz saiu-se tão bem no acompanhamento que o diretor artístico da RCA, Ernesto Matos, pediu-lhe para tocar alguma coisa em solo. Luiz tocou duas valsas e uma rancheira. Matos gostou e acabou fazendo uma concessão:

    - Agora meta lá esse negocinho do Norte que você disse que tem.

    O "negocinho": o chamego Vira e mexe e o xóte No Meu Pé de Serra.

    - Amanhã pode vir gravar.

    14 de Março de 1941, Luiz Gonzaga gravou seus dois primeiros discos como solista de sanfona. No primeiro, a mazurca Véspera de São João (Luiz Gonzaga - Francisco Reis) e Numa Serenata, valsa própria do Luiz. No segundo: Saudades de São João del Rei (valsa - Simão Jandi) e Vira e Mexe, chamego de Luiz Gonzaga. Os três 78 rotações que viriam a seguir manteriam a mesma proporção de música nordestina: Nós queremos uma valsa (Nássara e Frazão), Farolito (Augustín Lara) e só então o Pé de Serra.

    Durante cinco anos Luiz Gonzaga gravaria cerca de setenta músicas. das quais apenas dez seriam chamegos. A maior parte eram valsas, polcas, mazurcas e chorinhos, quase sempre de autoria do próprio Gonzaga.

    - Agora que estou mais procurado, lembrei-me de que fui eu quem lançou o choro no acordeão, algumas coisas mais fáceis do Nazareth, outras minhas.

    E nesses cinco anos Luiz Gonzaga faria carreira na rádio carioca. Começou com um contrato na rádio Club, para onde o levou Renato Murce. Substituiu seu ídolo Antenógenes Silva no Alma do Sertão participava de programas quase todos os dias da semana. Além disso, tocava no teatro com Genésio Arruda e, nas noites de domingo, animava os dancings do centro da cidade.

    - Havia o contrato da rádio, com seus 400$000 no fim do mês; havia os 20 de Genésio todos os dias e, com surpreendente regularidade, cerca de 300$000 de venda das gravações, um outro ordenado.

    Deixara de vez o Mangue e a dupla com Xavier Pinheiro. mas não esqueceu o amigo que inclusive o abrigara em sua casa: gravou algumas músicas do Xavier, divulgando-as para além dos bares frequentados por marinheiros e prostitutas.

    "Adispôs desse contrato
    Num abri e fechá de ôiu
    Viero me inconvidar
    Pra fundação da Tamôio."

    Seiscentos mil réis, o título de "maior sanfoneiro do Nordeste", mas uma severa proibição de cantar. E Luiz insatisfeito:

    - Talvez por não encontrar a verdadeira expressão do meu pendor artístico naqueles solos de sanfona, que subitamente me pareceram desenxabidos, inautênticos. Eu desejava fugir do ramerrão, das valsas rancheiras (...) Eu havia feito outras experiências fora do rádio, e os resultados foram animadores. Haviam-me aplaudido tocando choros, chamegos, forrós e calangos.

    Luiz começava sua luta para tocar, cantar e gravar suas músicas nordestinas quando foi despedido da Tamoio (1944). Logo foi contratado, por Cr$1 600, 00, pela Rádio Nacional, onde Paulo Gracindo, olhando para o rosto redondo de Luiz, apelidou-o de "Luiz Lua Gonzaga".
                                                 
Foto e Vídeo Ilustrativos
                                                     

terça-feira, dezembro 11, 2012

Perfil Brasil 2014

Tinha razão o ex-presidente Lula quando afirmava que “não se poderia ter uma única receita para os países pobres”. Cada nação tem seu perfil, cultura, religiões, etc.

Tomemos como exemplo nosso carnaval. Comemorado em todo mundo, aqui ele transcende e se transforma em um fenômeno singular. Alguma dúvida? Perguntem a todos os componentes de uma banda ou escola de samba se trocariam o momento
carnavalesco por um ano de cesta básica gratuita.
Se trocarem, será mais por apreciar pouco o momento, do que pela necessidade. (Contentamento da alma supera a satisfação do estômago).

Voltaremos ás afirmações do Ex-presidente : “Os governos anteriores negligenciaram o problema da fome no Brasil”. Engano, porque o problema foi negligenciado por todos os governos e é prioridade.
Como é prioridade grave como a fome, é não dar a exata dimensão ao ferimento da auto-estima da população, é a saúde da alma da nação que está baixa. Tudo esta relacionado a educação, informação, oportunidade de trabalho renda justa, cultura, esporte e lazer, itens não só negligenciados pelos governos anteriores, como pela sociedade dominante a até aqui, pelo atual governo, talvez porque seja mais complexo de resolver do que a fome , sentimentos fisiológicos que seria resolvido por decorrência.
O perfil da população brasileira assemelha-se muito ao do artista. Recomendo a leitura do conto “A valsa da fome”, de Julia Lopes de Almeida, escritora brasileira nascida  no Rio de Janeiro em 24 de Setembro de 1862, para quem quiser entender melhor o perfil a que me refiro. Pesquisar

1862 *   1934 †
                                                      


sábado, dezembro 01, 2012

O PARTIDO DOS TRABALHADORES EM ARTE




                                                                                    



quinta-feira, novembro 29, 2012

Não, nada de nada.



NON, JE NE REGRETTE RIEN

Não, nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago, varrido, esquecido
Não me importa o passado! (2)

Com minhas lembranças
Acendi o fogo (3)
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!

Varridos os amores
E todos os seus "tremolos" (4)
Varridos para sempre
Recomeço do zero.

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal, isso tudo me é bem igual!

Não! Nada de nada...
Não! Não lamento nada...
Pois, minha vida, pois, minhas alegrias
Hoje, começam com você!

Categoria:
Sem fins lucrativos/ativismo

Licença:
Licença padrão do YouTube

Diga sim a comissão da verdade desintencionada, queremos história e punição aos semelhantes de ambas as partes criminosas.

quinta-feira, novembro 08, 2012

Inri Cristo & CIA

Os caminhos percorridos por José Gentileza 

No dia 11 de abril de 1917 nasce em Cafelândia, cidade do interior paulista, José Datrino, segundo filho do casal Paulo Datrino e Maria Pim. Juntamente com seus dez irmãos, José Datrino teve uma infância regada a muito trabalho, onde lidava diretamente com a terra e com os animais. Para ajudar a família, puxava carroça
vendendo lenha nas proximidades. Desde cedo aprendeu a amar, respeitar e agradecer à natureza pela sua bondade.


Segundo Leonardo Guelman, "o campo ensinou também José a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, Gentileza se dizia .amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento"

Desde sua infância José Datrino era possuidor de um comportamento atípico. Por volta dos doze anos de idade, passou a ter premonições sobre sua missão na terra, onde acreditava que um dia, depois de constituir família, filhos e bens, deixaria tudo em prol de sua missão. Este comportamento causou preocupação em seus pais, que chegaram a suspeitar que o filho sofria de algum tipo de loucura, chegando a buscar ajuda em curandeiros espíritas.

Aos vinte anos de idade, enquanto sua família passa a residir na cidade de Mirandópolis, também interior de São Paulo, José Datrino deixa a terra natal sem avisar seus familiares e segue seu destino rumo ao Rio de Janeiro. Assim que soube do sumiço do filho, Paulo Datrino tentou seguir seus passos, indo parar em São Paulo, porém sem êxito. Baseado no histórico místico do filho, seus pais chegaram a pensar que ele teria sido levado pro algum guia espiritual. Somente quatro anos depois José Datrino, então residindo no Rio de Janeiro, entra em contato com a família.

Casou-se com Emi Câmara com quem teve cinco filhos. Começou um pequeno empreendimento na área de transportes, onde fazia fretes para o sustento da família. Aos poucos, o negócio foi crescendo até se tornar uma transportadora de cargas sediada no centro da cidade.

José Datrino concretiza assim, parte de suas premonições de criança. Possuía esposa, filhos e bens. Neste contexto ocorre a transformação em sua vida. Segundo relatos de sua filha Maria Alice a Leonardo Guelman, certa noite viu seu pai atormentado e logo em seguida dirigiu-se ao quintal de sua casa, onde cobriu o corpo todo com lama, remetendo à sua origem, e libertou os pássaros e galinhas num ato de protesto em favor da liberdade

Incompreendido por seus familiares e tido como louco por muitos, Gentileza chegou a ser internado várias vezes em clínicas psiquiátricas, de onde fugiu várias vezes, sempre retornando às ruas para levar sua mensagem de paz. Certa ocasião em que se encontrava internado na Casa de Saúde Dr. Eiras, o próprio Dr. Eiras entregou à sua família um atestado de sanidade mental alegando que o paciente José Datrino não era maluco, e sim diferente.


E isto não era motivo para mantê-lo internado. Segundo relatos de enfermeiros e pacientes da clínica, todos ficavam ao redor do Profeta ouvindo suas palavras e sendo .curados. por ele. Assim, o Profeta volta a circular nos mais diversos pontos da cidade do Rio de Janeiro, tornando-se um personagem conhecido por todos.

Em Campo Grande, um dos jornais estampa a manchete: "Que mal fez este homem?" E, em resposta a esta pergunta que a muitos incomodava, Gentileza cria uma frase singular: .quem é mais inteligente, "o livro ou a sabedoria?", frase esta que, posteriormente no ano de 2000, a cantora e compositora Marisa Monte insere em uma de suas gravações.

As relações existentes entre o Profeta Gentileza e o circo se estabelecem sob diversos prismas. Muitos ainda acreditam que o motivo que o levou a abandonar seus bens e profetizar pelo mundo foi o fato de ele ter perdido toda a sua família no incêndio. Uma vez enraizado no imaginário coletivo torna-se difícil tarefa desmistificar esta relação. Mas, apesar das inverdades contidas nesta história folclorizada, o episódio do circo instaurou um novo sentido em sua vida. Gentileza "interpretou a queima do circo como uma metáfora da queima do mundo (...) pelo capeta-capital, que vende tudo, destrói tudo, destruindo a própria humanidade"


Maria José Oliveira
Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC
Universidade Estácio de Sá

Para este saudoso "palhaço" a alegria não era o ver o circo pegar fogo, e sim a paz o amor e a "reciclagem energética"


                                                                                  
                                                                                  
                                                                                 
                                                                                   



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